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quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Buenos, que bueno!

Ahhh, Buenos.....

Há tempos que não viajava. Interessante a diferença que se sente em relação as coisas mais básicas da vida em uma sociedade que lhe é familiar.
Primeiro, ouve-se outro idioma o tempo todo. Tá bom, tudo bem, é espanhol, mas é diferente. Espanhol e português são idiomas com similaridades, mas muito diferentes.
Se me meter a falar vai sair um “portuñol” daqueles. E mesmo assim se ouve muito português nas ruas, pois a cidade de Bs As esta infestada de “brazucas”, o que tira um pouco a graça da coisa.
Outra coisa interessante. Ouve-se tango em todo lugar que se vá. Cafés, restaurantes. Claro que no centro do comercio se ouve uns batidões pesados, mas fora do eixo de lojas e outra coisa. O som do tango e refinado por natureza. Certa noite fomos a um restaurante e lá ouvia-se tango ao violão. Coisa mais linda e encantadora.
A arquitetura antiga está presente todo o tempo, seja no centro - principalmente - ou nos bairros próximos. Arquitetura neoclássica com influencia francesa e inglesa com prédios de vidro ao fundo. Ruas estreitas com prédios imponentes. Outra qualidade de vida. Muitos parques e monumentos bem cuidados.
Soube que o planejamento da cidade previu uma biblioteca e um parque para cada bairro.
Ao mesmo tempo esse planejamento estimula o transito de pedestres pela cidade, uma caminhada agradável, mesmo que às pressas num dia de trabalho. Mês sem prestar atenção acredito que a arquitetura e o urbanismo tenham influencia sobre os moradores locais. E mesmo no frio isso acontece, com os transeuntes revestidos com pesados casacos estilo europeu.
E que ótima sensação se sentir uma completa estrangeira em meio a essa visão. Gostaria de passa despercebida, mas acho que meu modelito não era la muito europeu então percebia alguns olhares curiosos. O kit-frio era composto de uma jaqueta jeans com duas malhas e uma camiseta de manga longa por baixo e uma echarpe no pescoço. Um casaco de lã cairia bem....... Também poderiam ser olhares curiosos em relação ao meu porte europeu, o que destoava um pouco da media de mulheres que vi por La.

E com essa beleza toda ainda sentia falta da comunicação e simpatia com que estou acostumada, especialmente na cidade em que nasci e cresci e com o idioma que me e familiar. Não só o idioma, mas, a cultura, que não se aprende junto com o idioma, de uma hora para a outra. Leva tempo. E minha viagem foi relâmpago, cinco dias de caminhadas pela cidade, suficientes para despertar um gosto pelo estilo portenho.

Outra questão “cultural” é o transito. Eles dirigem loucamente, não há faixa de veículos que resista, nem cruzamento que fique livre. Os veículos vão se amontoando num “deixa que eu vou” sem fim. Ao que me passa pela cabeça: onde vai parar isso? Quem põe ordem nessa casa? Ate pedestres atravessam as avenidas com o farol aberto, enquanto não vem carro e, quando vem, ate respeitam os pedestres reduzindo a velocidade para deixá-los cruzar a rua. Quanto ao transporte publico, achei muito bom. Onibus são identificados por números e param em pontos específicos ao longo de ruas e eavenidas. Assim não se amontoam todos numa mesma parada. E nas paradas há placas indicando os ônibus que La param e o trajeto dos mesmos. Detalhe: so se aceitam moedas nos ônibus ou um bilhete que se compra não sei bem onde. Ao entrar no veiculo há uma maquina cobradora em que se insere as moedas do valor da passagem informada ao motorista que digita o valor. O valor aparece no visor e inserindo as moedas a maquina vai debitando no visor o valor inserido e , se necessário da ate troco. Um luxo!

E junto a tudo isso tinha a presença única e especial de uma prima que mora na Australia. Ela estava apresentando Buenos Aires ao marido e, foi por eles que cai nessa aventura. Ela fala espanhol e já esteve na cidade algumas vezes, então era nossa “guia” desbravadora em alta vibração. E assim andamos de metro, ônibus e trem pra todo lado, se perdendo ou não, não interessava. Importante era ir, e como dizem: “se não se perder você não viajou”. Certa vez no ônibus a caminho de um certo bairro pedimos ao motorista para avisar onde descer. Ele perguntou: “em que rua?” e a resposta: “não sei”. E assim fomos.

Não era preciso fazer tudo, mas fazer o que se queria. E apesar da facilidade do cambio desvalorizado, o peso em baixa estimula o consumo, mas confesso que não ando La muito estimulada para gastar desmedidamente. Ate porque não levei muito e meu cartão do banco “se bloqueou” quando tentei sacar algum cascalho quase na véspera de partir. Ainda bem que ainda tinha um troco e segurei as pontas. Ufa! A sensação de insegurança bateu mas tive que administrar, fazer o que?


Outra coisa interessante, caminhando pelas ruas do centro notava-se uma ou outra bandeja ambulante levando um café para La ou para Ca; certo delivery de café naquele frio desgraçado. E a bandeja era levada com aquela tampa de bolo de acrílico para não esfriar ao longo do caminho.
Outra curiosidade foi assistir a televisão local. Era o que fazia de manhã para saber a temperatura, que indicava 3 ou 4 graus centigrados e dava as noticias locais.

E no meio disso ainda tinha um comercial divertidíssimo de arroz fazendo uma parodia com uma musica da cantora Diana Ross onde se falava Dianarroz! ;)

http://www.youtube.com/watch?v=njhrJCOCpEc

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