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segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Dançei!

Dancei! Dancei bolero, samba, forro, salsa, sertanejo, bachata, west coast. Ainda faltou dançar tango e lindy hop! Mas continuo dançando. Dançando as ondas do mar, tontinha que estou.
Dizem que, ao voltar de uma viagem de navio o corpo leva uns dois dias para se readaptar.
Pois é, estava num cruzeiro dançante e confesso; com perdão do Rei Roberto, foram muitas emoções.


Foi minha prima viagem de navio e, conversando com as pessoas você descobre que muitos fizeram mais de um cruzeiro.

***

A CHEGADA
Primeiro dia, chegada no porto de Santos e subida a bordo com documentos em mãos. Ao entrar seu voucher é cadastrado e você fotografado. Tudo ok? Entrada liberada, você e autorizado a entrar. Próximo passo, encontrar a cabine num prédio de 12 andares, ou pontes, como se fala por La. A entrada e na ponte, ou deck zero e a cabine era no décimo primeiro "andar". Por sorte bem ao lado de um hall de elevadores, o que já facilitava, e muito.




Ao chegar à cabine as malas já estão na porta e sobre a cama encontramos dois cartões para uso interno. Um cartão branco com nome, cabine etc. indicados no verso para abrir a porta da cabine e efetuar compras ou consumir bebidas dentro do navio. Outro cartão, vermelho o emergency drill card, que deveria estar sempre a Mao para, em caso de emergência, identificar o passageiro e local de evacuação. Dito isso, vamos comer!
São quatro da tarde e estou com fome! A pedida é o self-service da piscina central que se estende por três bufes ao longo da popa do navio. La pode-se tomar café da manha ate mais tarde, almoçar ate mais tarde ou comer uma autentica pizza italiana – aprendi que a pizza italiana tem uma massa macia por dentro e crocante por fora, bastante molho de tomate e pouquíssimo queijo - das cinco da tarde as três da manha! Afinal o navio e de uma companhia italiana! E essa pizza salva vidas!
Depois de abastecida fui dar um role pelo “barco” e me aprontar para La nuit. Tinha jantar no restaurante “Ceres” La no fundão do navio, no 4° andar ou, “Ponte Quatro” e a mesa era reservada. A mesma mesa para todas as noites. Encontramos dois casais e duas meninas e o papo foi bacana, mas, no dia seguinte, nenhum deles apareceu....... Mistério.............
O negocio é o seguinte: dado o grande numero de ocupantes do navio o jantar é feito em dois turnos, um as 2030hs e outro as 2200hs, pois não há disponibilidade de mesas e cadeiras para todos ao mesmo tempo. Isso porque eram dois restaurantes, divididos em dois salões de dois andares cada. Na noite seguinte nossos convivas mudaram para o turno das 2030hs e sendo assim, no outro dia tivemos um novo casal à mesa, embarcado no Rio de Janeiro. Aproveitei e convidei mais duas amigas para mudar de mesa e completar a nossa e assim fomos até o final do cruzeiro com mesa cheia de gente bacana! E ainda nos encontrávamos nas baladas noturnas e combinávamos passeios! Éramos quase uma família!


DESVENDANDO O NAVIO
Dia seguinte, parada na cidade maravilhosa, Rio de Janeiro. Fiquei no navio, queria conhecer essa cidade flutuante. Sai rodando pelo navio com máquina fotográfica na mão, tentando entender como é que essa barcaça funciona. E o lance acontece de duas formas: salões de baile, recepção cassino e etc. acontecem no 3°, 4° e 5° andares. Piscina, tobogã, pista de corrida, mini quadra, piscina infantil e decks para tomar sol acontecem no 9°, 10° e 11°. Ao todo são doze andares com cabines para passageiros e áreas de lazer e mais três andares para tripulação. Na verdade isso é o que entendi, pois havia um passeio pelo navio ao custo de U$ 75,00 o qual adoraria fazer; de graça, ou mediante valor menos significativo para meu bolso. A cabine era muito bem localizada, na "Ponte 12" e ao lado do elevador! Tinha varanda interna, ar condicionado e um camareiro muito atencioso chamado Albert. Albert era das Filipinas ou Indonésia, como a grande maioria da tripulação de serviços. Recepcionistas, operadores e outros eram de nacionalidade italiana ou brasileira, alguns eram indianos. Albert falava um quase nada de português ma são inglês nos colocou em contato tranquilamente. Minha companheira de quarto tentava se virar, apesar de não falar o idioma, compreendia e eu fazia o meio de campo quando nos encontrávamos os três. :)




Tomei um pouco de sombra enquanto estávamos ancorados no Rio, o sol estava demais para moi. E mesmo assim peguei uma corzinha; para os meus padrões e claro. E o negocio é que o navio tem um balanço gostoso que da uma tontura boa, um certo molejo nas pernas que adapta nosso "labirinto" a essa nova dinâmica. E sair do deck era difícil. Fácil era ficar na espreguiçadeira a e cochilar gostoso, mas, se bobear você faz isso e perde os atrativos da viagem. E fui percebendo isso aos poucos e numa outra oportunidade fui tomar "sombra" com relógio na mão para despertar na hora da aula de dança e ainda assim era necessária uma boa dose de coragem para levantar, sair do estado lisérgico e partir para o aprendizado. Pois é, meu querido minha querida, este não é um cruzeiro de lazer/ leseira.... É um cruzeiro dançante oras bolas! E o melhor de tudo: dançando você conhece as pessoas e no meio da semana as pessoas já se cumprimentavam no café da manha, ou combinavam uma dança a noite. Parecia um clube! E esse clube também tinha personal dancers........ Pois é........... Muita mulher pra pouco homem dançante, então os personais eram muito bem vindos. Todos jovens, simpáticos e pacientes, dançavam todos os rimos com todas as damas a noite toda. Por conta disso dancei ate um sertanejo!
Após um dia inteiro de nagevação e muitas fotos de reconhecimento do navio chegamos a Salvador.

SALVADOR
Minha "prima" vez a terra do Pelô, um sol de rachar a cuca e por conta disso optamos por sair do navio no meio da tarde para uma visita rápida. E lá fomos ao Mercado Modelo, recepcionados por uma apresentação de capoeira que na verdade acontece a todo momento em qualquer lugar de Salvador. Dai você acha bonito, quer tirar uma foto e pimba! "Pode dar uma contribuição ai?" É assim que funciona o turismo por lá, a todo momento, e em todo lugar.



Saímos do mercado em direção ao famoso elevador Lacerda, que dá acesso a "cidade alta". É uma bela subida de não sei quantos metros a 35 centavos por pessoa. São dois elevadores em movimento o tempo todo levando o povo para cima e para baixo.
Chegando no alto a vista do mercado Modelo é belíssima, e ao fundo pode se ver o porto e o nosso navio.
Caminhamos em direção ao Pelourinho, passamos pela baiana vendendo acarajé, um pedestal com roupa de baiana em que você pode apoiar o queixo e tirar uma "foto de baiana" com contribuição e claro! Nesse ínterim uma senhora me aborda, me da uma fita do Bonfim, amarra e no pulso e continua: a pulseira não custa nada, mas na seqüência conta uma historia triste e me "oferece" um colha com um pingente de metal em forma de chinelo e pede ajuda. Escuto o que ela tema falar, mas me isento da contribuição. Essa historia ainda ha de se repetir mais algumas vezes nesse breve passeio...
Andamos mais um pouco e sentamos no Largo Terreiro de Jesus para uma cerveja. O Largo consiste numa praça retangular com coreto ao centro e antigas construções e igrejas ao redor. Barracas de acarajé e afins e, e claro, uma capoeira! Estando por lá somos alertados pela moça de uma barraca próxima para não deixar mos nossas bolsas e sacolas desatendidas, pois meninos podem passar correndo e levar tudo embora. Muito agradável não?
Desço a passear por uma ladeira e me descubro, surpresa na ladeira do Pelourinho. Belíssima vista de casas amontoadas ao longe e igrejas a se destacar entre as construções geminadas. Por lá, outra vez a abordagem da pulseira do Bonfim, muita simpatia e bom papo dos locais. Na volta da ladeira deparo com artistas pintando camisetas na rua e não resisto a algumas fotos, tiradas discretamente, de seu trabalho encantador.

ILHEUS
Dia seguinte, parada em Ilhéus, cidade do cacau. Estive lá dois anos atrás, mas tive vontade de descer e rever a Casa de Cultura de Jorge Amado, Casa de Gabriela, o centro antigo e suas construções restauradas, as lojas e produtos típicos e a simpatia do povo.



Achei Ilhéus mais agradável que Salvador, menos ostensivo ou invasivo. Vimos a estatua de Jorge em frente ao restaurante Vesúvio, passamos no Bataclan, tiramos fotos de: ...adivinha... Capoeira, e fomos à famosa Praia dos Milionários. E olha que a praia em si não tem nada demais, pois pelo nome espera se algo incrível e surreal, mas pelo visto, o que a caracteriza dessa forma são os condomínios que existem próximos a praia. Condomínio de pessoas "bem de vida".
Paramos numa barraca com vista para o mar, comemos um a isca de peixe, tomamos uma cervejinha e de sobremesa uma cocada "mole" que a Adriana tanto queria. Ao que parece e a cocada que eles costumam vender embalada em papel filme como se fosse um hambúrguer, mas mais molinha. Uma tentação deliciosa. Esse passeio foi acompanhado de um guia mirim e leva e trás de van contratada na descida do navio. Saímos às três da tarde de volta ao navio com a gentileza do nosso condutor contratado na descida di navio com uma van.

BALADA
De volta ao navio, jantar do comandante a vista, cardápio generoso como sempre, jantar completo e atendimento impecável de nosso garçom de todas as noites. O jantar consistia em entrada, sopa, massa, carne e sobremesa. A melhor refeição do dia em todos os sentidos. Aproveitando noite adentro, fui informada que o nascer do sol no navio e belíssimo, e assim decidi esticar noite para presenciar tão bela imagem. Ficamos no salão central ate a derradeira dança, as cinco de la matina. Dai ficamos fazendo hora e batendo papo no deck escuro e escorregadio a espera da alvorada. Ao mesmo tempo presenciamos a tripulação limpando o navio, arrumando as espreguiçadeiras, enfim, um serviço que não se vê, mas se não tem que o faça, a coisa vira uma bagunça! O navio não pára! A todo o momento ha funcionários circulando, e isso e apenas uma parte da tripulação, pois outra parte não se vê, como por exemplo, o pessoal do maquinário, da manutenção geral. E uma cidade ambulante!
Voltando ao nascer do sol, muito vento e muito escorregão, mas uma sensação maravilhosa e poder presenciar a hábil natureza que traz um dia apos o outro. E tem que prestar atenção porque o sol nasce rápido. E incrível como em segundos se “desprende" do horizonte e vai em direção ao céu.





Volto para a cabine as sete da manha e penso com meus botões que: de deitar a gora, ja era! Então, tomo um banho tranquilamente, vou tomar café da manha às oito horas e as nove já estão pro tinha para a aula de alongamento! E o dia segue com mais aulas de dança e baile a noite! Quase fiz 48 horas on line! Ufa!
Ultimo dia de bagunça, aula na piscina central com todos os professores, pulei muito, dancei muito, e a energia rolou solta. Depois dessa aula ao ar livre, muito abraços com os professores e personais de dança, um ultimo baile ate a ultima musica e uma vontade de não mais partir.
Mas a saída e logo cedo, sem choro nem vela.
E assim foi.
Fantástico e altamente recomendável!