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segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Coisas que só a arquitetura faz por você...

Cansada de ficar em casa comecei a trabalhar num pequeno escritório de arquitetura para pagar as contas.
E o negocio e surreal....
Cheguei ao escritório e fui recebida pelo arquiteto com mais tempo de casa, dois anos, muito simpático com papo- cabeça, que da aula de metodologia em faculdade etc...
Ele passou quarenta minutos contando como é o dono do escritório, que gosta de ordem, de cumprimento de horário que não use celular durante o expediente.
Disse que não e muito comunicativo, não sabe explicar o que quer, não ensina ou orienta, simplesmente fala "faz", ou "depois eu vejo".
Usa um caderno com projetos de 20 anos atrás e, quando tem um terreno novo busca um projeto velho e faz um estudo, sendo que esses projetos apresentam problemas recorrentes que não são solucionados ha 20 anos e continua executando da mesma forma. !!!
A figura é resistente a mudanças, deu pra notar? Uma hora fala uma coisa, amanha esquece, depois fala que você errou. Isso é o que tenho ouvido da turma...
A turma e formada por quatro arquitetos e uma estudante que também faz a parte administrativa. Sim o escritório e pequeno e enxutos em “vários” sentidos.
Um tem dois anos de casa, outros dois, cinco meses, outros dois, três meses.
O arquiteto chefe passa duas vezes por dia para ver o andamento dos projetos, designar tarefas e “orientar”. A orientação é feita através de uma postura rígida e com fala seca, sem vibração e com olhar desconfiado. Lembra um boneco de Olinda por conta da rigidez dos ombros e tronco. Você vera nos “causos” abaixo.
As pessoas parecem desinteressadas, não ha responsabilidade ou envolvimento, apenas execução de tarefas. Ocorre uma visita de manha e outra à tarde para tirar duvidas e solicitar “orientações”. Nesse meio tempo, há muito bate papo online e redes sociais. Parece uma repartição publica.

Ocorre que ha alta rotatividade de profissionais neste local. Por que será???
É gente boa, acho eu, mas não sabe lidar com pessoas, parece que não gosta de pessoas. Não tem processo de trabalho, muda de opinião de um dia para outro, não antecipa problemas, acha que “vai passar”. Tem um projeto que esta no "nono" comunicado de prefeitura, li o documento e as correções são básicas! No-no!
E tem mais, o escritório fica no ultimo andar do prédio, num conjunto adaptado que virou um triplex adaptado com um mini elevador interno. No primeiro nível fica a sala de reunião. No segundo nível escritório e acima, escritório particular.
Para chegar ao “escritório”, não entramos pelo hall do decimo andar. É preciso sair do elevador e pegar a escada de incêndio e entrar pela entrada de "servico" ao lado da casa de máquinas. Isos é que é glamourrrrrrr...
Tirando isso, quando me ocupo de trabalhar vale a pena. Desenvolvo projeto, esclareço duvidas, falo com projetista e isso me anima. Gosto de certa autonomia.
Mas essa dinâmica e mínima, pouco se tem contato com o mundo externo. Em termos de trabalho o aprendizado é nulo, ao menos para mim. O trabalho e básico e o desenvolvimento é pífio. Vamos la! Coragem!



Posso sugerir outra pia para o banheiro da portaria por falta de espaço?
“Claro!” com cara de "mas és óbvio!"

Ar condicionado que vaza após um tempo ligado, escorre água pela parede.
“Coloca um pano!”

Trabalhar com um terraço ajardinado na frente do seu computador.
Adoro.

Trabalhar num bairro com toda infra estrutura para resolver sua vida na hora do almoço, inclusive comprar coisas que não estavam previstas no roteiro...
Roupa, maquiagem, costureira, sapateiro, farmácia e banco e etc...
Adoro.

Bairro tão bem cotado que e tudo zona-azul, estacionamento muito caro, melhor vir de ônibus. Para vir de carro, estacionar a 1km de distância num bairro nobre, em frente mansões.
Surreal.

Comunicar ao chefe um erro de calculo de áreas em projeto e o mesmo revisar o projeto em conjunto sem qualquer nota de reconhecimento.
Surreal.

Perguntar como se faz algo e ouvir em resposta, faz como esta no projeto. Ai você faz e depois escuta: “quem mandou fazer assim?”
Ou num dia escutar uma ordem e executa-la. No outro dia escutar um “você fez tudo errado!”
Surreal 2

Perguntar algo ao chefe como: quem fez o seu logo tipo? E ouvir em resposta:
“Um amigo. Por quê?”
Não tem preço.

Ter um galão de 10 litros que acaba em alguns dias e para encher proceder da seguinte forma.
Descer para o andar de baixo, o escritório e um duplex, retirar a base do filtro, puxar o bico do filtro para fora, posicionar o galão sobre um móvel e alinhar a saída de agua com a boca do galão e aguardar encher por uns 5/ 10 minutos. Subir com o galão, pedir para um dos meninos “virar” o mesmo no suporte.
Não tem preço de novo...


***

A pauta é: hall.
Discussões sobre a pronúncia da palavra inglesa que denomina: salão, salão de entrada de uma casa, apartamento ou empresa, local de espera para acessar outro ambiente.
No Brasil já aportuguesamos a palavra e a incorporamos ao jargão cotidiano falando “rol”.
Mas há quem fale “al”, que poderia declinar do inglês “all” mas a pronuncia é diferente. Teríamos a primeira pronuncia no estilo “canino” como “au”, e a segunda como “ol”.
Em casos mais severos, pode-se acrescentar uma vogal que transforma a palavra em “uol”, fazendo referencia a um provedor de internet.
Resumindo, não esta fácil pra ninguém...


***

E tem mais....
desenvolvendo o projeto de um prédio surge a questão de um muro nos fundos da piscina e o terreno atras.
começamos a discutir sobre o assunto e as definições de projeto e, quando menos espero, durante minha fala, o arquiteto levanta a mão como que dizendo: "pare de falar que eu quero falar"! tem dó... que corte, que falta de habilidade em lidar com pessoas, que corta tesão...

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